Ovário policístico e miomas ainda cercam milhões de brasileiras de dúvidas!

Com alta prevalência no país, condições ginecológicas comuns seguem cercadas por mitos sobre fertilidade, câncer, sintomas e tratamento

Por Michel Telles
Às

Ovário policístico e miomas ainda cercam milhões de brasileiras de dúvidas!

Foto: Divulgação

 A síndrome dos ovários policísticos e os miomas uterinos estão entre as condições ginecológicas mais comuns entre as mulheres brasileiras, mas ainda cercadas por desinformação. Segundo o Ministério da Saúde, a síndrome dos ovários policísticos acomete de 6% a 10% das mulheres em idade fértil. Já documentos da Conitec, entidade ligada ao Ministério da Saúde, indicam que os miomas atingem cerca de 60% das mulheres em idade reprodutiva. Na prática, isso significa que milhões de brasileiras convivem com essas condições, muitas vezes sem diagnóstico precoce ou com informações incompletas sobre sintomas, fertilidade e tratamento.

Para a Dra. Helga Marquesini, ginecologista da Pro Matre Paulista, o problema é que tanto o ovário policístico quanto os miomas costumam ser tratados de forma simplificada demais. “São condições frequentes, mas que ainda geram muita dúvida. Muitas mulheres ou normalizam sintomas importantes, como irregularidade menstrual, dor e sangramento excessivo, ou chegam ao consultório muito assustadas por mitos que circulam sem contexto. Informação correta é essencial para diagnóstico e tratamento adequados”, afirma.

A seguir, a especialista esclarece os principais mitos e verdades sobre o tema:

1. Quem tem ovário policístico não pode engravidar

Mito. A síndrome dos ovários policísticos pode dificultar a ovulação e tornar a gravidez mais desafiadora em alguns casos, mas não significa infertilidade definitiva. Com acompanhamento médico, muitas pacientes conseguem engravidar. “A SOP não deve ser encarada como uma sentença de infertilidade. Ela pode exigir investigação, controle hormonal e, em alguns casos, indução de ovulação, mas há tratamento e acompanhamento”, diz Dra. Helga.

2. Menstruação irregular pode ser um sinal importante de ovário policístico

Verdade. O Ministério da Saúde aponta a irregularidade menstrual como um dos sinais centrais da SOP, junto com manifestações como acne, excesso de pelos e alterações vistas no ultrassom. “Quando o ciclo menstrual muda de forma persistente, isso merece atenção. Nem sempre será SOP, mas não deve ser tratado como algo sem importância”, explica a médica.

3. Ovário policístico afeta só a parte reprodutiva

Mito. A síndrome também pode estar associada a alterações metabólicas, como resistência à insulina, obesidade, diabetes e síndrome metabólica. “É uma condição que vai além da fertilidade. Muitas vezes é preciso olhar para peso, metabolismo, estilo de vida e fatores de risco futuros”, afirma Dra. Helga Marquesini.

4. Mioma pode virar câncer

Mito. Os miomas uterinos, também chamados de leiomiomas, são tumores benignos. Quando realizado o ultrassom ou ressonância e as imagens forem sugestivas de miomas que surgem com o que chamamos de características suspeitas ou que apresentam crescimento muito rápido podem necessitar de intervenção precoce, para descartar que sejam outro tipo de tumor. “A palavra tumor assusta, mas no caso do mioma estamos falando de uma lesão benigna. O que deve ser avaliado é o impacto na saúde e na qualidade de vida da mulher”, esclarece a ginecologista.

5. Nem todo mioma causa sintomas

Verdade. Muitos miomas são descobertos em exames de rotina, sem que a paciente tenha sintomas. Mas, em alguns casos, eles podem provocar sangramento intenso, cólicas, dor pélvica, anemia, aumento da frequência urinária e até dificuldade para engravidar. “A conduta depende muito do tamanho, da localização e dos sintomas. Há casos que só precisam de acompanhamento e outros que exigem tratamento”, diz Dra. Helga.

6. Toda mulher com mioma precisa retirar o útero

Mito. O tratamento dos miomas não é igual para todas as pacientes. Existem opções medicamentosas e cirúrgicas, e em muitos casos é possível preservar o útero, especialmente quando há desejo reprodutivo. “A decisão terapêutica é individualizada. Nem toda paciente vai precisar de cirurgia, e nem toda cirurgia significa histerectomia”, afirma a especialista.

A Dra. Helga reforça que sinais como sangramento menstrual muito intenso, dor pélvica persistente, ciclos muito irregulares, acne importante, aumento de pelos e dificuldade para engravidar devem ser investigados. “O mais importante é não normalizar sintomas que afetam o corpo, qualidade de vida e a rotina da mulher. Quanto mais cedo houver avaliação e diagnóstico, maiores são as chances de controlar os sintomas e escolher o tratamento mais adequado”, conclui.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie:redacao@fbcomunicacao.com.br
*Os comentários podem levar até 1 minutos para serem exibidos

Faça seu comentário