Potencial comprador do Will Bank queria aporte do FGC de R$ 5,5 bi
O banco, que fazia parte do conglomerado Master, foi liquidado pelo Banco Central nesta quarta-feira (21)

Foto: Reprodução/Will Bank
ADRIANA FERNANDES - A negociação para a venda do Will Bank fracassou porque o principal comprador queria um aporte a fundo perdido ou seja, sem previsão para pagamento de R$ 5,5 bilhões do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para adquirir a instituição financeira do grupo Master.
O banco, que fazia parte do conglomerado Master, foi liquidado pelo Banco Central nesta quarta-feira (21), após ficar operando sob Raet (Regime Especial de Administração Temporária) desde a liquidação do Master em 18 de novembro de 2025.
O regime especial foi decretado na época na tentativa de buscar um comprador para Will Bank, o que minimizaria o impacto da quebra do banco no FGC, fundo formado com aportes das instituições financeiras que garante até R$ 250 mil por investidor, como os CDBs (Certificado de Depósitos Bancários) emitidos pelo Willbank.
O problema, segundo pessoas a par do tema, é que o "dinheiro acabou" e o banco digital não tinha mais como honrar as suas dívidas elevadas. Uma dessas pessoas resumiu o quadro da seguinte forma: as grades foram furadas e a Mastercard disse que não daria mais crédito ao banco.
Como revelou a Folha de S.Paulo na tarde de terça-feira (20), o Mastercard decidiu suspender a aceitação de cartões emitidos pelo Will Bank depois de o banco não honrar pagamentos, impondo mais uma dificuldade para a instituição que faz parte do conglomerado do Master. Transações feitas por consumidores não foram honradas pelo banco nesta junto a diversos participantes da indústria de cartões. Ao suspender as transações, evita-se que o valor devido pelo Will Bank aumente.
Foi a gota d'água para a liquidação. Com essa decisão, já se esperava a liquidação do Willbank.
Embora estivesse pagando os CDBs depois da Raet (o não pagamento desses títulos de crédito é caso de liquidação) o Will Bank seguia com problema de liquidez por causa de elevado endividamento, anterior à liquidação do Master, que vinha impactando a bandeira Mastercard, que cobrava uma solução.
Conforme o tempo vai passando, sem um comprador, o banco não conseguiu mais pagar as dívidas. Durante o processo de análise de venda do Master ao BRB (Banco de Brasília), apareceram vários candidatos. Entre eles, o fundo soberano de Abu Dhabi, Mubadala e o apresentador Luciano Huck.
A dificuldade na venda do Willbank se agravou após as revelações sobre fraudes do Master. Há uma desconfiança em relação aos passivos que possam ser encontrados no banço por um eventual comprador. O banco tem mais de 5 milhões de clientes de classe de renda mais baixa, classes C e D.


