Presidente eleito da Alerj, Douglas Ruas pode assumir o governo do Rio após crise institucional
Eleição contestada na Assembleia coloca deputado na linha sucessória do estado

Foto: Reprodução/Alerj
A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) elegeu, nesta quinta-feira (26), o deputado Douglas Ruas (PL) como novo presidente da Casa. A votação, realizada de forma extraordinária, foi marcada por questionamentos judiciais e boicote de parlamentares da oposição.
O novo presidente recebeu 45 votos favoráveis entre os 47 deputados presentes, de um total de 70 cadeiras. A sessão foi convocada horas antes pelo presidente interino, Guilherme Delaroli (PL). O processo foi aberto e definido por maioria absoluta.
A eleição ocorre em meio a uma sucessão atípica no estado. Com a renúncia do governador Cláudio Castro e a cassação do mandato do deputado Rodrigo Bacellar, o comando do governo estadual passou temporariamente ao presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto. Pela linha sucessória, o novo presidente da Alerj deve assumir o governo interinamente.
A sessão foi acompanhada por manifestações no plenário. Enquanto parte dos parlamentares aplaudiu o resultado, outros protestaram e chamaram a eleição de “golpe”.
Disputa judicial
A oposição tenta suspender a validade da eleição. Entre os argumentos apresentados está o fato de o pleito ter sido realizado antes da retotalização dos votos das eleições de 2022, determinada pela Justiça Eleitoral após a cassação de Bacellar.
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) marcou para a próxima semana a recontagem, que pode alterar a composição da Alerj, incluindo a redistribuição de cadeiras entre partidos.
Parlamentares também questionaram a ausência do suplente que herdaria a vaga de Bacellar, o que, segundo críticos, comprometeria a legitimidade da votação.
Quem é Douglas Ruas
Formado em Direito e servidor concursado da Polícia Civil, Douglas Ruas iniciou a trajetória na administração pública em São Gonçalo, onde atuou em cargos municipais e estaduais.
Ele foi eleito deputado estadual em 2022 com uma das maiores votações do estado. Desde 2023, ocupa a Secretaria de Estado das Cidades, responsável por obras em parceria com prefeituras.
No Legislativo, tem atuação discreta, com poucos projetos apresentados até o momento. Agora, assume protagonismo em meio a uma das maiores crises institucionais recentes do Rio de Janeiro.


