Roma critica proposta do governo eleito que sugere furo do teto de gastos
Para deputado, responsabilidade fiscal é o melhor caminho
Foto: Reprodução/UOL
O deputado federal João Roma (PL) criticou nesta terça-feira (22), durante entrevista ao UOL, a proposta da equipe de transição do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que sugere furo do teto de gastos de até R$ 200 bilhões sob o pretexto de garantir o Bolsa Família de R$ 600.
"O melhor caminho é como nós temos trilhado desde o início do governo Bolsonaro, que é buscar responsabilidade fiscal, atuando de maneira que possamos, sim, ajudar os brasileiros em situação de vulnerabilidade, sem comprometer, sem fazer ruir a nossa economia", disse o parlamentar.
"Desde que cheguei [no Ministério da Cidadania], eu utilizava a expressão de que a área social e a econômica eram duas faces da mesma moeda. Então não adianta, sob o pretexto de querer ajudar os mais vulneráveis, exagerar, gerando um sentimento de fragilidade na área econômica, pois quando a economia não vai bem quem sofre são justamente as pessoas mais necessitadas", completou.
Roma enfatizou que o mais adequado nesse momento é buscar um discurso sem maiores exageros, buscando atuar em pontos que sejam comuns tanto aos membros do atual governo quanto do próximo do petista. Roma citou o exemplo de quando o governo Bolsonaro criou o Auxílio Emergencial e, em seguida, o Auxílio Brasil.
"Achamos uma equação que o mercado compreendesse, mas mesmo assim tivemos muitos sobressaltos. Fala-se em R$ 200 bilhões [de estouro de teto] por tempo indeterminado", criticou Roma, que comparou a aprovação da chamada PEC da Transição à assinatura de um cheque em branco.
O ex-ministro da Cidadania disse ainda que não há empecilhos para a aprovação do Auxílio Brasil de R$ 600 a partir de 2023. "Viabilizar isso não tem dificuldade, mas a equipe de transição apresenta outros quesitos. O Auxílio de R$ 600 é consenso de todos", disse.