Silvio Almeida defende descriminalização das drogas para combater tráfico
Ministro participou de audiência pública na Câmara dos Deputados
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Foto: Câmara dos Deputados
O ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, afirmou na quarta-feira (12), durante audiência na Câmara dos Deputados, ser favorável à descriminalização das drogas para combater o crime organizado no país. Na ocasião, ele disse que o uso das drogas é “um problema de saúde pública, e não de natureza criminal”.
“Não há nenhum direcionamento do governo em relação a esse tema, mas eu tenho uma opinião, que é uma opinião minha, pessoal e que está baseada em ampla literatura sobre o tema e experiências internacionais sobre a descriminalização das drogas”, afirmou o ministro.
Observando a diferença entre descriminalização (quando não há punição penal) e legalização (quando o uso passa a ser regulamentado por lei), o ministro exemplificou que nem sequer a água pode ser colocada diante do público sem regulação.
“Descriminalização das drogas não é o contrário de regulação, de colocação em fluxos econômicos e de um debate político e jurídico no campo da saúde pública, a exemplo do que é feito em outros países”, disse.
Questões estruturais
Almeida argumentou que a indefinição jurídica sobre quem são os traficantes e os usuários cria uma “zona cinzenta” que favorece as organizações criminosas, as quais seguem recrutando jovens vulneráveis para o tráfico, bem como agrava as condições desumanas do sistema carcerário.
“Trata-se de fazer com que a prisão não seja um meio social de controle da pobreza, em que nós só prendemos pobres e os ricos que traficam em grande estilo, com o uso de aviões, também tenham de enfrentar os rigores da lei", disse.