AI DE TI, VENEZUELA

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AI DE TI, VENEZUELA

O dia das celebrações transcorreu em todo o mundo. Os venezuelanos festejaram, com muita emoção nos corações, a prisão do ditador e sua remoção para os Estados Unidos, onde será julgado pelos crimes que cometeu.
De hoje em diante, nos esforçaremos para entender o desdobramento do ato, quase simbólico não fosse o caráter espetacular com que se sucedeu, de uma Venezuela livre do ditador, Nicolás Maduro, que, por mais de dez anos, submeteu o povo venezuelano, a um regime de força inaudita.
Não perderei tempo, nem tinta, com as narrativas em voga que atribuem à ação norte-americana uma violação do direito internacional e uma agressão à soberania da  Venezuela. São narrativas que se destinam a encobrir , num palavreado falso e fingido, a vergonha que arrasta seus defensores para os porões da História. Comprovam, mais uma vez, suas ilusões perdidas!
É mais fácil e desculpável bombardear a Venezuela e capturar o ditador e sua mulher, do que enfrentar o enigma que se apresenta no presente momento, equivalente a eliminar um sistema político totalitário e converter as entranhas de uma economia destroçada pela ilusão socialista, mantendo intacta a sua estrutura de poder.
Percebe-se que há um enredo impenetrável entre o céu e a terra do que imagina a vã filosofia. É indubitável o conluio impenetrável da “diplomacia secreta”, articulada entre o governo norte-americano e a ditadura com o seu séquito de  horrores e covardia.
O Presidente Trump declarou que é seu propósito governar a Venezuela por tempo indeterminado, através das orientações emanadas de Marco Rubio, Secretário de Estado, Pete Hegseth, Secretário de Defesa e o Chefe do Estado Maior Conjunto, General Dan Caine, em articulação com a Vice-Presidente da Venezuela, Delcy Rodrigues.
Essa inédita arquitetura governamental concebida pelo Govêrno norte-americano sugere uma espécie de tutela sobre a governante oficial do país e poderá ser interrompida, inclusive com medidas tão ou mais drásticas do que as que culminaram com a prisão de Maduro, caso a mandatária venezuelano não seguir as orientações exaradas pelo triunvirato trampista.
Tal concepção de Estado, no que pese sua provável inoperância, configura um modelo autoritário, sem assegurar, contudo, o objetivo teórico da intervenção  norte-americana, que consistia na restauração da Democracia e do estado de direito na Venezuela. 
Vejo como um objetivo constante dos esforços norte-americanos redesenhar um novo sistema comercial da riqueza petrolífera da Venezuela, considerando fatores históricos que autorizam os Estados Unidos recuperar os prejuízos decorrentes da nacionalização e desapropriação das empresas norte-americanos operantes no país, por iniciativa dos governos chavistas.
Do ponto de vista geopolítico e estratégico os Estados Unidos consideram participar da recuperação de petróleo pesado a fim de abastecer suas refinarias construídas para atender este tipo de refino e provocar o ingresso do petróleo venezuelano no mercado aberto deste mineral, a fim de forçar a redução do barril de petróleo no mundo, com prejuízos graves da Rússia e consequências na guerra da Ucrânia.
Estava certo, a meu ver, Carl Sagam quando disse que “nada me perturba mais que a glorificação da estupidez”. Digo isso, para salientar que os Estados Unidos não esgotaram tantos recursos políticos e militares contra um país caribenho, denominado Venezuela,  se visasse, por mais importante que sejam os valores democráticos, empenhar-se tão somente por eles, sem considerar os benefícios econômicos da  riqueza petrolífera e as vantagens geopolíticas a serem conquistadas.

Comentários

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lidia Santana
Por mais que os interesses americanos na Venezuela visem o próprio interesse, é certo que o regime totalitário não acaba apenas com a prisão do Maduro, e isto implica, sim, em uma permanência prolongada até o desmantelo total do sistema. Que o mesmo se veja em Cuba, Colômbia e Brasil na sequência.

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