O jornalista e comentarista político Fernando Gabeira afirmou ao vivo, em programa levado ao ar pela Rede Globo, que o STF “devia acabar”, ao analisar os recentes diálogos entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o Ministro Alexandre de Moraes. Muitos interpretaram aquelas palavras como um desabafo de indignação, em face dos diálogos proferidos por aqueles interlocutores. Outros as viram como uma medida saneadora e propícia a abrir caminho à uma nova estruturação da suprema corte de justiça do país e, consequentemente, com novos ministros, a serem escolhidos através de métodos mais democráticos, que os atuais.
Pelo que sei, Gabeira, até o momento, não entrou em minudências, relacionadas com sua bombástica declaração. Certamente que ela encontrou entre seus ouvintes muitos adeptos de uma ou outra das hipóteses levantadas, ou mesmo de uma terceira ou quarta a serem explicitadas.
O fato inequívoco é que tal declaração do famoso jornalista deixou claro que os desvios, equívocos, desonestidades, desmandos e outras tantas arbitrariedades não tinham mais soluções viáveis, se adotadas pelos mesmos que as comentaram e que a nação como um todo já tinha sido violada em seus valores mais caros e fundamentais.
Os julgamentos proferidos e prolatados pelos falsos juízes estavam eivados pelos crimes que eles praticavam, sob a sombra escura do silêncio e da corrupção, e que não passavam de arremedos mentirosos para desfigurar os supremos mandamentos da Democracia.
Ainda que alguns desses magistrados tivessem reagido, suas vozes eram fracas diante do turbilhão que se erguia para sufoca-los e muitas vezes tivessem que se curvar ao impacto de uma imprensa comprometida e aliada dos desmandos em voga. A pressão corporativa sempre se impõe, quando tudo colabora para isso.
No lá fora, a intimidação, o medo, a violência institucionalizada espraiaram-se avassaladoramente sobre a mente de um povo indefeso e atônito, o qual passou a enxergar em tudo aquilo uma normalidade contaminante, a despedaçar a coluna vertebral da nação, cujos protestos eram considerados meros arroubos insignificantes, principalmente pela imprensa estatizada e a academia subalterna.
Tenho, repetidas vezes, dito que, antes de quaisquer veleidades de mudanças constitucionais, é dever dos democratas defender a primazia da Constituição de 88, zelar para incorporar as forças que se dissolidarizaram com o regime totalitário vigente à luta pelas liberdades democráticas, constituir uma frente unida e poderosa que, antes de dissolver o STF, esteja comprometida de julgar e condenar os ministros responsáveis pelo descalabro a que chegamos e alcançar o estado democrático de direito que vínhamos, a duras penas, construindo.
Já se ouve o rufar dos tambores rompendo o silêncio dos ministros intocáveis do STF, anunciando os arranjos para desmoralizar as investigações policiais e implantar limites às prerrogativas constitucionais da Polícia Federal, a fim de impedir, através de leis produzidas pela ditadura da toga, que os investigadores cumpram o seu papel, se esse for recair sobre os intocáveis ministros do STF.
A vitória da nossa luta pela Democracia consolidar-se-á quando, finalmente, todas as decisões adotadas pelo STF desde os chamados Inquéritos do Fim do Mundo, em 2019 até nossos dias, sejam anulados, libertados todos os presos políticos e o nosso povo compareça às urnas democráticas para sagrar vitoriosa a corrente política que melhor represente seus anseios de liberdade e progresso social.
É vital eliminar todos os vestígios da ditadura que se implantou no Brasil, a fim de que não sobrem nada que lhe inspirou, sob os auspícios de um poder judiciário, principalmente de sua suprema corte, que fez da Constituição um trapo imprestável e dos valores morais e políticos da sociedade uma cortina de fumaça para iludir o povo e violar direitos. Montesquieu, que firmou com maestria as normas do Estado democrático, chamou a nossa atenção para o fato de que “não há tirania pior do que a exercida à sombra das leis e sob o pretexto da justiça”.
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