O fundador do anarcocapitalismo, o americano Murray Rothbard, não sem exagerar um pouco, asseverou que “não pode haver um imposto bom, tampouco um justo. Todo imposto se fundamenta na coerção”. Essa afirmação, contudo, vem a calhar, toda vez que uma sociedade indefesa é esmagada pelo apetite devorador do Estado.
Essa advertência de Rohtbard é semelhante ao que nos disse o célebre humorista e escritor Millôr Fernandes em uma das suas espirituosas verdades tão bem relatadas: “me arrancam tudo à força, e depois me chamam de contribuinte”. Entre as duas afirmações, há uma irrecusável realidade formal. São coercitivas em relação aos tributos. É o Estado exercendo a coercitividade que lhe é peculiar, desde as suas origens.
É público e notório que o atual governo do país, chefiado pelo apedeuta Lula da Silva, chegou aos píncaros da estupidez tributária, chicoteando com altos tributos às costas do “contribuinte” brasileiro. Mais do que isso, profanando o Estado com impostos que só a imaginação perdulária dos seus sátrapas é capaz de inventar e aplicar. Somente nesses poucos meses de 2026 o Erário arrancou do nosso incauto contribuinte mais de oitocentos bilhões de reais de impostos. Entre estes malditos encargos, abrangeu pobres criaturas. Foram vítimas as mulheres da mais antiga profissão da Terra: as meninas de programa. Elas vão ter que pagar uma taxa por cada uma dos divertidos serviços que prestam. Também não escaparam os motoboys. Esses, doravante, pagarão impostos por cada quilômentro percorrido de entrega e transporte.
Recentemente, escarnecendo do cidadão, Lula o gastador-mor da nação, elevou os impostos a cerca de mil e duzentos itens, incluindo neste pacote inflacionário, os computadores e outros equipamentos informáticos, tornando mais proibitivo o ingresso dos brasileiros no mundo digital.
Durante seu desastroso mandato já tivemos o aumento de alíquotas de mais de trinta produtos, cujo peso tributário oprime o consumo e onera a sua produção. São os males recorrentes do Brasil: a pobreza do povo e as falências das empresas. Não é por outra razão que temos no Brasil mais dependentes da bolsa família que empregados formais com carteira assinada, muito menos é cada vez mais difícil aos empreendedores sobreviverem neste descalabro financeiro nutrido pelo Estado e os índices de falência chegam a cinco mil e duzentas empresas (5.200) por ano contra apenas oitocentos e oitenta e dois (882) no começo do atual Governo.
O arrocho fiscal alcançou limites que, em qualquer nação do mundo, já teria provocado um levante popular de grandes proporções. Aqui entre nós, talvez em razão do torpor a que estamos submetidos, o silêncio é ensurdecedor. Para desenhar esse quadro contribuiu o medo dos democratas – o medo de que nos fala Drummond de Andrade – o silêncio comprado da grande imprensa, felizmente acordando do seu sono letárgico.
Se a luta pela Democracia começa a tomar um colorido mais nítido em nosso país, mercê da corrupção disseminada e amplamente conhecida de todos, não significa que devemos continuar silentes com tal arrocho fiscal, cujo consectário será o desastre econômico que se avizinha em razão do desvario de um Governo irresponsável e cruel.
Na verdade, o Estado brasileiro vive a sua maior crise fiscal de todos os tempos e o Governo, único responsável por este tenebroso cenário, agrava ainda mais através a extorsão da população, adiando a tempestade que se forma pela ação de uma Estado de ladrões – em todos os sentidos – lembrando o nosso poeta parnasiano Olavo Bilac: “ao contrário do que se diz, não é a ocasião que faz o ladrão. A ocasião faz o roubo, o ladrão já nasce pronto”.
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