Hoje vou falar sobre os Indicadores de Desempenho. Na minha visão (ver figura), eles podem ser classificados em duas grandes categorias: indicadores sujeitos a bônus e indicadores sujeitos a ônus.
Indicadores sujeitos a bônus
(1) Curto prazo
Refletem o desempenho da empresa no curto prazo e são, em geral, mensurados por indicadores contábeis relacionados à rentabilidade do capital e à criação de valor. Dentre eles, destaco:
• ROIC (Return on Invested Capital): rentabilidade do capital empregado.
• EVA (Economic Value Added): valor que sobra após remunerar todos os custos e despesas, inclusive o custo do capital próprio.
• ROE (Return on Equity): mede o quanto o capital do acionista foi remunerado.
• ROIC / WACC: relação entre o retorno sobre o capital investido e o custo médio ponderado de capital. Quando esse índice é superior a 1, a empresa gera EVA positivo, ou seja, cria valor de curto prazo para o acionista.
(2) Longo prazo – indicadores monetários
Refletem o desempenho de longo prazo por meio do valuation da empresa, tais como:
• Total Shareholder Return (TSR): mede a rentabilidade do investidor com base no preço de mercado da ação.
• Enterprise Value (EV): calculado pela soma da dívida líquida com o valor de mercado do patrimônio líquido.
• Q de Tobin: razão entre o valor de mercado (market capitalization) e o patrimônio líquido (book value). Quanto maior, melhor.
• Liquidez da ação: indica o nível de negociação do papel no mercado, refletindo o interesse dos investidores.
Para empresas não listadas em bolsa, recomendo a realização periódica de avaliações (preferencialmente anuais), de modo a incorporar esse indicador na avaliação de desempenho dos executivos.
(3) Longo prazo – indicadores não monetários
Nem sempre o mercado reflete adequadamente o desempenho de longo prazo. Por isso, é fundamental acompanhar indicadores relacionados à atração, desenvolvimento, satisfação e retenção de funcionários, clientes e fornecedores.
Além disso, devem ser considerados indicadores ligados a outros stakeholders, como reputação, marca institucional, bem como indicadores precedentes (Leading indicators), como pesquisa e desenvolvimento (P&D).
(4) Risco
Os indicadores de risco moderam a interação entre os indicadores de curto e de longo prazos. Assim, é essencial que a empresa monitore indicadores que evidenciem o nível de risco a que está exposta. Entre elas, destacam-se:
• Dívida Líquida / EBITDA
• Dívida Líquida / Patrimônio Líquido
• Cobertura de juros
• Limites de alavancagem no mercado de dívida
• Capex planejado, que pode representar comprometimento de caixa futuro
• Caixa mínimo, que atua de forma inversa à dívida líquida, preservando recursos para emergências
• Avais e contratos assumidos que impactem a sustentabilidade financeira de longo prazo
• Grau de Alavancagem Operacional, que avalia a estrutura de custos fixos e variáveis e o risco de volatilidade do lucro
Indicadores sujeitos a ônus
Estes indicadores estão relacionados ao cumprimento dos valores permanentes da organização e são de observância obrigatória pelos executivos. O não cumprimento pode resultar em penalidades severas, inclusive demissão.
Enquadram-se nessa categoria todos os indicadores considerados mandatórios pelos acionistas, tais como aqueles ligados a ética, sustentabilidade, diversidade, inovação, respeito aos fornecedores, funcionários, clientes e concorrentes, entre outros.

Considerações finais
Para o cálculo do bônus dos executivos, recomendo que haja equilíbrio entre indicadores de curto e de longo prazos, bem como a vinculação de parte da remuneração variável ao de-sempenho de longo prazo, preferencialmente por meio de opções de ações ou mecanismos semelhantes. Recomenda-se também colocar um índice qualitativo, relacionado por exemplo a engajamento e a formação de sucessores, dentre outros.
Espero que a sua empresa esteja adotando alguns desses indicadores para garantir a sustenta-bilidade no curto e no longo prazos.
Até a próxima coluna.
José Carlos Oyadomari (PhD.)
Possui mais de 40 anos de experiência empresarial nas áreas de controladoria e contabilidade gerencial. Professor desde 1983, atualmente leciona no Insper e no Mackenzie. Sócio da True Port Advisors (M\&A). Consultor, conselheiro de empresas, palestrante e professor em cursos in company. Pesquisador dos temas Indicadores de Desempenho e Governança. Coautor do livro Contabilidade Gerencial (Gen Atlas).
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