"Dragão azul" chama atenção em praias de Salvador
Ao Farol da Bahia, uma especialista revelou os mistérios por trás da lesma marinha

Foto: Reprodução
Um pequeno tipo de lesma de cor azul prateado vibrante e com nadadeiras incomuns tem chamado a atenção de algumas pessoas que caminham por praias de Salvador. Segundo relatos, esses pequenos seres apareceram nas localidades da Amaralina e do Corsário. Em vídeos na internet, banhistas até se atreveram a tocar neles.
Apesar de toda curiosidade sobre a "lesma incomum", ela tem nome e trata-se da 'Glaucus Atlanticus', mais conhecida como "dragão azul", comumente encontrada no Sul da África, Europa, Índia e na costa leste da Austrália. Além disso, já foi relatado o aparecimento do "dragão azul" na região Sul do Brasil, Ceará, e em algumas localidades da Bahia. Por ter de 3 a 4 cm de comprimento, raramente é possível encontrá-los dentro do mar.
Apesar de boatos delas serem venenosas, a oceanógrafa e especialista no Gerenciamento de Ambientes Costeiros (GAC), Milena Nervino, disse ao FAROL DA BAHIA que o "dragão azul" não possui toxinas fatais, porém, pode armazenar algumas devido à cadeia alimentar delas, que é composta por águas vivas.
Segundo a pesquisadora, um dos principais motivos para explicar o aparecimento da 'Glaucus Atlanticus' na costa litorânea da capital se dá pelo fator climático.
"Nesta época do ano é comum ter eventos de tempestade e mar agitado, como temos visto nas ultimas semanas. A Bahiamares, plataforma que fornece dados sobre o mar de forma gratuita, fez alguns alertas sobre as condições de mar para os dias 16/07, 26/07, 31/07 e 01/08. Isto quer dizer que ondas e ventos mais fortes que vieram de mar aberto atingiram a costa nestes períodos. O dragão azul vive em regiões oceânicas chamado de pelágica (mar aberto), e por não serem nadadores ativos, foram arrastados por essas ondas e ventos até a nossa costa", pontuou a especialista.
Mesmo que o "dragão azul" seja "inofensivo", a pesquisadora Milena Nervino pediu para que os banhistas evitem tocar neles, principalmente as crianças, e chamou atenção para cuidados com possíveis queimaduras.
"Em relação ao risco à população, o que ocorre é que esses animais são predadores das caravelas portuguesas. As caravelas tem células urticantes que quando em contato com a pele humana causa queimaduras, então quando este animal se alimenta, ele armazena a toxina, podendo causar queimaduras quando manipulado. Vale salientar que naturalmente eles não produzem estas toxinas, mas obtêm ela de sua cadeia alimentar. A recomendação é que não manipule, não só este, mas nenhum outro animal marinho", recomendou a especialista.