"Dragão azul" chama atenção em praias de Salvador

Ao Farol da Bahia, uma especialista revelou os mistérios por trás da lesma marinha

Por Emilly Lima
Ás

"Dragão azul" chama atenção em praias de Salvador

Foto: Reprodução

Um pequeno tipo de lesma de cor azul prateado vibrante e com nadadeiras incomuns tem chamado a atenção de algumas pessoas que caminham por praias de Salvador. Segundo relatos, esses pequenos seres apareceram nas localidades da Amaralina e do Corsário. Em vídeos na internet, banhistas até se atreveram a tocar neles.  

Apesar de toda curiosidade sobre a "lesma incomum", ela tem nome e trata-se da 'Glaucus Atlanticus', mais conhecida como "dragão azul", comumente encontrada no Sul da África, Europa, Índia e na costa leste da Austrália. Além disso, já foi relatado o aparecimento do "dragão azul" na região Sul do Brasil, Ceará, e em algumas localidades da Bahia. Por ter de 3 a 4 cm de comprimento, raramente é possível encontrá-los dentro do mar.

Apesar de boatos delas serem venenosas, a oceanógrafa e especialista no Gerenciamento de Ambientes Costeiros (GAC), Milena Nervino, disse ao FAROL DA BAHIA que o "dragão azul" não possui toxinas fatais, porém, pode armazenar algumas devido à cadeia alimentar delas, que é composta por águas vivas.

Segundo a pesquisadora, um dos principais motivos para explicar o aparecimento da 'Glaucus Atlanticus' na costa litorânea da capital se dá pelo fator climático.

"Nesta época do ano é comum ter eventos de tempestade e mar agitado, como temos visto nas ultimas semanas. A Bahiamares, plataforma que fornece dados sobre o mar de forma gratuita, fez alguns alertas sobre as condições de mar para os dias 16/07, 26/07, 31/07 e 01/08. Isto quer dizer que ondas e ventos mais fortes que vieram de mar aberto atingiram a costa nestes períodos. O dragão azul vive em regiões oceânicas chamado de pelágica (mar aberto), e por não serem nadadores ativos, foram arrastados por essas ondas e ventos até a nossa costa", pontuou a especialista.

Mesmo que o "dragão azul" seja "inofensivo", a pesquisadora Milena Nervino pediu para que os banhistas evitem tocar neles, principalmente as crianças, e chamou atenção para cuidados com possíveis queimaduras.

"Em relação ao risco à população, o que ocorre é que esses animais são predadores das caravelas portuguesas. As caravelas tem células urticantes que quando em contato com a pele humana causa queimaduras, então quando este animal se alimenta, ele armazena a toxina, podendo causar queimaduras quando manipulado. Vale salientar que naturalmente eles não produzem estas toxinas, mas obtêm ela de sua cadeia alimentar. A recomendação é que não manipule, não só este, mas nenhum outro animal marinho", recomendou a especialista.

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