Gravidez na adolescência, taxa elevada
Confira o editorial desta quarta-feira (26)
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Foto: Reprodução
Não à toa o foco da nova campanha do Ministério da Saúde e o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos foca na prevenção à gravidez na adolescência. O Brasil registra uma das maiores taxas se comparado aos países da América Latina e Caribe, chegando a 68,4 nascidos vivos para cada mil adolescentes e jovens. A gravidez não intencional nesta fase pode trazer consequências para toda a vida.
O número alarmante ganhou novos e infelizes contornos semana passada com a divulgação do relatório do Fundo de População da ONU (UNFPA). Escancara quão profundo é problema do tema no país.
A taxa de fecundidade no Brasil entre meninas de 15 a 19 anos é de 62 a cada mil bebês nascidos vivos, acima da média mundial que é de 44 a cada mil. Ao ano, mais de 430 mil bebês nascem de mães adolescentes no país.
É estrutural, numa cadeia social que precisa ser quebrada com urgência, e isso apenas com planejamento e conscientização coletiva. Mães adolescentes acabam, por vezes, exercendo menos direitos básicos, como educação, saúde, lazer e trabalho. Quando adultas, enfrentam mais dificuldade para ter um trabalho remunerado e conseguir autonomia.
O diálogo, sem dúvida, é o início mais sensato e funcional para tentar mudar este quadro. É preciso despertar a reflexão e promover entre os jovens e as suas famílias em relação ao desenvolvimento afetivo, autonomia e responsabilidade.
O intuito deve ser sempre fazer com que os próprios adolescentes queiram buscar orientações sobre formas de prevenção e entender os riscos num futuro a médio prazo. Assim, os adolescentes poderão tomar decisões, de forma mais consciente, sobre a vivência da sua sexualidade, de forma segura, responsável e com conhecimento sobre seu corpo.
Mas nunca se deve perder o norte de que a gravidez na adolescência é um problema de saúde pública, com vários problemas interligados ao caso.