MP do Paraguai inicia processo para apurar aparente espionagem da Abin a autoridades do país
Funcionário da agência contou à PF suposta invasão aos sistemas do governo paraguaio

Foto: Reprodução
O Ministério Público do Paraguai divulgou nesta quinta-feira (3) uma nota oficial em que diz ter iniciado um processo criminal para apurar uma suspeita de espionagem digital pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que teria como foco autoridades e agências paraguaias. A informação foi revelada pelo portal UOL.
Na última terça-feira (1º), o governo do Paraguai comunicou que chamou o embaixador do Brasil em Assunção, José Antônio Marcondes, para pedir esclarecimentos sobre o aparente monitoramento da Abin dos sistemas do país vizinho.
Um funcionário da Abin declarou em depoimento à Polícia Federal (PF) que a administração do órgão teria conservado operações de invasão hacker a sistemas do governo do Paraguai e de autoridades que estão envolvidas nas negociações da usina de Itaipu.
O depoimento é parte da apuração sobre uma aparente estrutura paralela presente na agência de inteligência.
"Segundo relatos, essas ações teriam como objetivo obter informações confidenciais relacionadas às negociações tarifárias da Usina Hidrelétrica de Itaipu, afetando supostamente os gabinetes de altos funcionários nacionais, incluindo o Presidente da República, membros do Congresso, o corpo diplomático e autoridades da ANDE", esclarece a nota do MP.
"O Ministério Público reafirma seu compromisso com a proteção da soberania nacional e dos direitos fundamentais contra qualquer forma de interferência indevida e dará continuidade às investigações na forma da lei", continua.
Monitoramento da Abin
A Polícia Federal iniciou inquérito na última segunda-feira (31) sobre um aparente vazamento de informações da apuração que investiga se havia uma Abin paralela que teria utilizado serviços de inteligência para ações ilícitas.
No depoimento, o funcionário da Abin declarou que a gestão da agência conservou operações de invasão hacker a sistemas governamentais do país vizinho, sobretudo do Congresso, da Presidência da República e de autoridades implicadas nas negociações da usina de Itaipu.
Segundo o depoimento, a ação tinha como intuito conseguir dados secretos sobre valores em negociação no Anexo C do Tratado de Itaipu.
O servidor declarou que o ataque iniciou no governo Bolsonaro, porém que permaneceu no decorrer do governo Lula, com autorização expressa do atual diretor da Abin, Luiz Fernando Corrêa, e do diretor interino Saulo de Cunha Moura, que esteve à frente do cargo em maio de 2023.
Em nota, o governo Lula declarou que encerrou a ação assim que ficou soube dela, em março de 2023.