Vacina da dengue do Butantan têm proteção por cinco anos e diminui casos graves, indica estudo
Imunizante foi considerado eficaz em pessoas que já tiveram a doença e também em quem nunca foi infectado

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Uma nova análise de longo prazo da vacina de prevenção contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan aponta que apenas uma dose do imunizante mantém proteção por ao menos cinco anos e diminuiu de maneira considerável o risco de maneiras graves da doença.
Os resultados foram divulgados pela renomada revista científica Nature Medicine e integram o acompanhamento de um ensaio clínico de fase 3 feito no Brasil.
Na avaliação, que analisou mais de 16 mil participantes entre 2 a 59 anos, a eficácia geral da vacina foi de 65% contra a dengue sintomática foi confirmada através de exame depois de cinco anos de acompanhamento. Por outro lado, a proteção contra casos de dengue mais grave ou apresentando sinais de alarme foi maior, alcançando 80,5%.
A pesquisa ponta que o imunizante foi considerado eficaz em pessoas que já tiveram a doença e também a quem nunca foi infectado.
Dentre os indivíduos que possuem exposição prévia ao vírus, a eficácia comprovada foi de 77,1%, enquanto os participantes sem infecção anterior ficou em 58,9%.
De acordo com o infectologista Renato Kfouri ao portal G1, os números engajam o potencial da vacina como um instrumento importante para diminuir hospitalizações e mortes pela dengue, mesmo que não elimine completamente a circulação do vírus.
Proteção maior contra casos considerados graves
Kfouri também disse que os comportamentos de maior proteção é esperado em imunização contra doenças virais.
No estudo feito, nenhum caso de dengue grave aconteceu entre participantes vacinados ao longo do acompanhamento, enquanto episódios graves da doença aconteceram em grupo que tomou o placebo.
Imunizante não substitui combate ao Aedes
Mesmo diante da chegada de novos imunizantes, especialistas destacam que o controle do mosquito Aedes aegypti segue como essencial. Isso pois nenhum imunizante oferta proteção integral contra a dengue, e a circulação do vírus depende da presença do vetor.
De acordo com Kfouri ao G1, a combinação pode ocasionar efeitos indiretos de proteção, beneficiando pessoas que não foram vacinadas.


