Zonas de conflito e crianças condenadas

Foto: Divulgação/Unicef
Cerca de 420 milhões de crianças vivem em zonas afetadas por conflitos armados, 30 milhões a mais do que em 2016, segundo um relatório intitulado “Pare a guerra contra as crianças”, apresentado recentemente pela ONG Save the Children. Um infortúnio de guerra às sombras dos destroços e muitas vezes abafado pelo som da artilharia pesada.
É um expressivo número que representa distintas gerações ao redor do globo que estão ao relento e jogados à própria sorte, num cenário difícil de se prever saídas quando se fala em zonas de conflitos entre facções armadas, grupos terroristas, governos extremamente autoritários e violentos, ou áreas atingidas por bombardeios.
Apartadas das famílias, com aspirações infantis ou a liberdade para brincadeiras nas ruas e com outras crianças amputada, as vítimas estão à mercê de constrangedoras guerras civis, muito pela má conduta dos adultos que promovem a destruição em massa sem medir consequências sociais e amputam o direto delas à educação, ao afeto.
O risco de morte de crianças em áreas próximas de guerra, deliberadamente expostas à violência, é mensurada pela ONU ou pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) como duas vezes maior do que elas fossem afetadas por doenças que poderia ser evitadas antes dos cinco anos, como hepatite ou alguma doença respiratória.
A dificuldade de ajuda humanitária na Síria, por exemplo, deixa à posteridade um legado nada animador: milhares de crianças desoladas, sem educação formal, sem amparo familiar. O alerta, que se renova a cada ano, com números cada vez mais assustados, já é sentido nas dificuldades de jovens em se manterem nos estudos, em conseguir emprego ou construir família.
Difícil prever uma solução a curto prazo, no entanto, a solidariedade e compaixão podem ser pequenos gestos para um começo de mudança de paradigmas quando se trata de conflitos armados e crianças condenadas pelos estragos de simplesmente estar ali.