Rompimento entre Emicida e Fióti envolve acusação de desvio de R$ 6 milhões de empresa
Irmão mais novo do rapper move processo na Justiça para impedi-lo de tomar decisões individuais sobre a Lab Fantasma

Foto: Reprodução/Instagram (@fiotioficial)
O rapper Emicida protagoniza uma disputa milionária com o irmão, Evandro Fióti, ex-sócio e ex-empresário do cantor. A acusação de um desvio de R$ 6 milhões da empresa Laboratório Fantasma seria o motivo de um artístico rompimento entre eles.
No último sábado (29), Emicida anunciou o fim da parceria artística com o irmão através de um comunicado nas redes sociais. “Informamos que, a partir desta data, Evandro Roque de Oliveira (Fióti) não representa mais os interesses da carreira artística de Leandro Roque de Oliveira (Emicida)”.
Segundo o portal UOL, nos autos do processo, Emicida afirma que o irmão desviou, em nove meses, R$ 6 milhões das contas da empresa gerenciada pelos dois desde 2010. As transferências teriam ocorrido entre junho de 2024 e fevereiro de 2025 da conta bancária corporativa para a conta pessoal de Fióti.
A defesa de Evandro Fióti chama a versão de Emicida de infundada.
Versão de Fióti
A ação foi movida na Justiça de São Paulo por Fióti, no início de março. Ele alega no processo ter feito um acordo para deixar a produtora e que se surpreendeu ao ter o acesso negado às contas da Laboratório Fantasma.
Até 2010, cada um dos irmãos tinha 50% das quotas sociais da empresa, diz a defesa de Fióti. Em 2014, a Laboratório Fantasma se transformou em uma Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (Eireli), permanecendo nesse estado até 2024.
Dez anos depois, em 2024, Fióti voltou ao quadro social da empresa e passou a deter 10% das quotas sociais, enquanto Emicida mantinha 90% do total. Em novembro daquele ano, Emicida teria explicitado o desejo de separação da sociedade. Um acordo foi assinado em cartório para que o rompimento ocorresse de maneira "equilibrada" entre os irmãos.
No entanto, a defesa de Fióti afirmou à Justiça no dia 12 de março que Emicida cometeu atitudes "descabidas", "ilegais" e "irresponsáveis", impedindo que Fióti participasse da administração das empresas.
A defesa de Fióti pediu bloqueio de contas das empresas que dividem, que não haja novas assinaturas de contratos e que Emicida seja impedido de se apresentar como único sócio.
Versão de Emicida
Por sua vez, o cantor afirmou que iniciou em 2010, quando decidiu criar a própria gravadora com Fióti, houve um acordo verbal que delimitaria em 70% dos ganhos para ele, enquanto Fióti ficaria com 30%.
Emicida explicou à Justiça que há uma divergência com Fióti, porque o irmão entende que sua remuneração, de R$ 40 mil por mês, não seria o suficiente.
A partir disso, em janeiro de 2025, Emicida teria percebido uma transferência de R$ 1 milhão da conta da empresa para Fióti. Em fevereiro, outra transferência ocorreu para Fióti, de mesmo valor.
Após uma auditoria interna feita em março de 2025, a empresa descobriu que Fióti transferiu outros R$ 4 milhões para contas pessoais, entre junho e julho de 2024. A descoberta foi feita após Fióti ter decidido se afastar do cargo, dedicando apenas duas horas por dia aos assuntos da empresa.
À Justiça a defesa de Fióti afirmou que as transferências mencionadas foram acordadas anteriormente para "equalizar a disparidade histórica nas retiradas feitas exclusivamente por [Emicida]”.